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Archive for outubro \20\America/Sao_Paulo 2011

 O risco humano pode apresentar diferentes origens motivacionais e se manifestar de diversas formas, intensidades e durações. Muitos aspectos distintos podem agir de forma separada ou combinada, e podem influenciar sua manifestação e consequências. Por exemplo, uma pessoa pode reagir a um evento qualquer de forma negativa e provocar uma reação individual também, mas que, por sua vez pode provocar múltiplas reações, influenciando um grupo maior de pessoas que também podem desencadear um resultado que não era esperado por nenhum dos dois indivíduos envolvidos diretamente na questão. A intensidade e a duração das reações dependem do contexto da discórdia e do ambiente dos eventos gerados. Se o problema é comum a todos, não importa se foi um único indivíduo a se manifestar inicialmente, os outros vão adotar a mesma postura se o ambiente não apresentar controle. Quando pensamos em controle, precisamos contextualizar as condições ambientais. Estamos falando de um local público, privado ou misto? Este local é aberto ou fechado? O numero de pessoas é adequado à estrutura física disponível ou não? As pessoas que se encontram dentro podem influenciar as de fora ou não? Estas condições necessitam ser entendidas para que possamos dimensionar ou avaliar os recursos de controle. Torniquetes, catracas, barricadas, câmeras de CFTV, segurança privada, segurança animal, segurança pública, bombeiros, paramédicos, etc. não só devem ser dimensionados pela magnitude do evento de forma a exercer controle real, como também estarem dispostos de tal forma que demonstrem efetivamente estes controles no âmbito emocional. O subconsciente coletivo das pessoas pode e deve ser trabalhado para que os recursos projetados consigam o efeito desejado, pois se assim não o for, seria impossível reunir os recursos necessários para conter a multidão de um estádio de futebol, por exemplo, no caso de uma histeria coletiva. A razão deve prevalecer no individual e, por conseguinte no coletivo. O nível de expectativa e ansiedade gerado pelo evento também deve ser considerado. Não podemos aceitar que o entusiasmo de uma Copa do Mundo de Futebol possa ser comparado à de uma Olimpíada ou mesmo, de uma corrida de Fórmula 1. A qualidade cultural e educacional pode sim ser um fator de influência a ser considerado, contudo, não podemos esquecer-nos que já tivemos demonstrações de violência gratuita em jogos internacionais de tênis, onde o público, supostamente é de altíssimo nível e não há exaltação coletiva para tanto. A reação desproporcional de um grupo de pessoas próximas a um indivíduo que comete alguma insensatez pode gerar uma reação em massa que pode se propagar também por um tempo desproporcional a gravidade da situação inicial, por estarem longe deste, mas sofrendo uma influência negativa pela falta de informação sobre o fato. Nem sempre quem vê uma cena a entende por completo, e pior ainda aquele que só viu uma parte, ou nem mesmo isto viu. Podemos sempre nos lembrar daquela situação: “Do que você está correndo? Não sei. Todo mundo correu e eu achei melhor não ficar prá descobrir sozinho”. Pessoas aglomeradas apresentam perspectivas de risco diferentes se estão confortáveis, satisfeitas e alegres daquelas que estão cansadas, frustradas e infelizes. A questão não é o resultado de um jogo, por exemplo, mas sim o conjunto de sensações que estas pessoas estão compartilhando. A frustração pode ser um gatilho emocional que pode disparar muitos tipos de reações negativas e violentas, que em última análise, pode ser manipulada por indivíduos motivados especificamente para este fim. A demonstração de controle é eficaz nestes casos, principalmente por entendermos que somente um pequeno numero de pessoas serão suscetíveis a serem massa de manobra dos maus intencionados. Se não há sensação de controle, o ambiente proporcionará uma inflamação mais rápida dos grupos mais sensíveis e a reação dos efetivos de segurança serão tardios e permitirão a proliferação de uma reação em cadeia, que necessitará de um efetivo ainda maior ou de maior rigidez para conter a massa. Nestas situações tudo pode acontecer. Os exemplos não devem ser somente dos casos recentes de violência no futebol brasileiro, dentro e fora dos estádios, mas também de povos que estão acostumados a serem violentos em seus países e que comumente o são, mesmo quando em visita a outros países. Estes países usam de técnicas e recursos humanos e animais que por aqui ainda não estamos familiarizados, a começar pela segurança dos estádios que internamente são realizados somente por empresas privadas de segurança. Devemos nos preocupar com a qualidade dos recursos que serão empregados nos grandes eventos de 2014 e 2016 no Brasil, principalmente os humanos. Os treinamentos pertinentes requerem qualidade, reciclagem e amadurecimento para serem eficazes. Tanto recursos técnicos, humanos e animais, como cães farejadores e de ataque, necessitam ser selecionados, treinados e integrados para formarem um sistema que atenda aos planos de segurança preventiva, reativa, emergencial e contingencial que devem ser considerados. É um trabalho árduo e longo que precisa de muita determinação e comprometimento por parte dos envolvidos. Desejo a todos muita inspiração e transpiração para que possamos alcançar o sucesso tão almejado.

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