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Archive for dezembro \23\America/Sao_Paulo 2011

A ILHA

Você sabia que o Brasil é uma ilha isolada do mundo? Acredite… se quiser.

Desculpem-me pela ironia, mas dia após dia, semana após semana e por aí vai… somos bombardeados com notícias em diversas mídias que nos manipulam de todas as formas com os mais variados propósitos, sempre ESCUSOS. Se assim não o fossem, não chamaríamos estas manobras “intelectuais” de manipulação. Esta manipulação, ou manipulações, pois proveem de diversas origens, acontecem através da convergência de ações de propaganda; desinformação; desvio de intenção; desvirtuamento de conceitos, ideias e opiniões de pessoas, grupos, instituições privadas e públicas. Sem querer ser hipócrita ou ingênuo, pergunto: Quando vamos nos decidir a entender a quem ou à que propósitos, interessam estes incessantes bombardeios de falsas informações? Digo isto, pois, se aceitarmos que somos aquilo que pensamos, é correto afirmarmos que nossas opiniões derivam de uma lógica cerebral que luta para firmar conceitos através da análise de uma infinidade de dados, sem, contudo sabermos ao certo se estamos usando os filtros corretos para separarmos o “joio do trigo”, ou seja, captarmos as frações significativas de informação e darmos sentido lógico a elas. É fundamentado que “toda unanimidade é burra”, pois é um sentido claro de visão obtusa, limitada. Mas o que dizer de múltiplas opiniões desencontradas e sem sentido prático que dominam nosso cotidiano? No nosso entendimento, podemos chamar em última instância esta situação, de “guerra psicológica”, já que seu efeito nos coloca uns contra os outros, sem consenso claro, mesmo entre os grupos dominantes. O efeito “ilha” não acontece só por aqui, podemos ver seus domínios em muitos cenários em todo o globo. A manipulação de massa não é nova, contudo parece-nos que as intenções de propósitos há muito veem se transformando. Estamos vivendo um período perigoso da história humana, onde grandes transformações estão tomando forma e redesenhando o mapa geopolítico em contornos cada vez mais críticos. Bem como, a união da raça humana está cada vez mais distante de ser o ideal e paradoxalmente inversa ao que se esperava das promessas da globalização. Ao invés disto, estamos vivenciando uma luta por “corações e mentes” através de planos de conquistas mercadológicas das marcas globais e únicas; da proliferação das religiões de massas intolerantes; de políticas expansionistas regionais e continentais por ditadores; da violência cada vez mais presente e da imposição de leis contrárias aos interesses dos povos; da anticultura; do cerceamento de conhecimento; da segregação de classes; da fragilidade da paz e de tudo que faz os seres humanos serem diferentes do resto dos animais, ou seja, a capacidade de pensar e tomar suas próprias decisões e não aquelas que julgamos serem nossas. Este cenário dramático de caos não pode ser atribuído somente aos “dominantes”, mas também aos “dominados” já que estes últimos, chamados de classes oprimidas, também buscam conquistar seu espaço utilizando-se de emprestar legitimidade aos seus movimentos através dos modernos conceitos de igualdade e direitos humanos para também imporem seus desejos por poder político, terras, habitação, produção e educação, que num primeiro momento parece justo, mas que infelizmente também não tem outro objetivo senão o de dominar. A era da informação está se tornando a da desinformação e manipulação profunda e sistemática de povos pela facilidade que a tecnologia serve aos seus mestres. A polêmica é proposital e deve servir de alerta para uma análise mais profunda, e espero, ainda em tempo, de uma reforma interna no que nossas mentes estão se transformando. A capacidade humana de superação já foi provada e comprovada sistematicamente através de nossa História. Contudo, o intelecto humano cada vez mais se desprende das velhas rotinas e interdependências criadas nas relações familiares ou profissionais que lhe deram fundamental base inicial, indo de encontro à uma rede neural coletiva que cresce vertiginosa e perigosamente para indivíduos mal formados intelectualmente. Desviando estes seres de seus propósitos originais e colocando-os à serviço de um consciente multicultural sem consistência em conteúdo e objetivos, e pior, quando consistentes, são notadamente nocivos a si próprios e a sociedade. Muitos devem estar pensando que estamos falando de “lavagem cerebral” no final das contas, mas não chega a isso AINDA. Vamos observar mais o conjunto das informações para entendermos os possíveis cenários que estão tentando desenhar. Vamos parar de propagar desinformação pelo simples fato de estarmos repetindo os conteúdos de textos que supostamente foram escritos por excelentes profissionais ou reconhecidas mídias, sem uma análise mais profunda e conjuntural. Espero sinceramente não ser tomado como tolo, pois de fato, sinto que precisamos virar este jogo pelo bem comum e de nossa nação.

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Quer seja no âmbito público ou privado, é excessivamente comum o vazamento de informações sensíveis através de dossiês secretos que surgem do “nada” nas mãos de jornalistas, declarações impróprias e imprudentes de autoridades da segurança pública e mesmo do governo federal. As empresas por sua vez, também costumam aparecer neste contexto como o setor público, sempre que uma crise está se formando ou já se instalou. A experiência dos setores de comunicação dos atores citados é costumeiramente reconhecida e causaria estranheza se não possuíssem uma política e um protocolo de comunicação amplamente testado que evitassem enormes erros e desgastes às vistas do público. Daí minha incredulidade e indagação. Será que estamos assistindo a uma demonstração de irresponsabilidade ou de incompetência? As pressões do momento estariam desestabilizando emocionalmente seus protagonistas e mesmo, o consenso destes com seus assessores de comunicações? Há muito que a matéria de comunicação de crise é desenvolvida, estudada e aplicada quer seja por pessoas, instituições ou empresas com relativo sucesso. Poderia a falta de ética pessoal dos atores envolvidos extrapolarem as boas práticas da comunicação de crise pela necessidade pessoal de demonstrarem aquilo que acreditam ou precisam se proteger? São muitas as perguntas que gostaríamos de respostas, principalmente naquelas situações polêmicas que tomam as manchetes por mais tempo. “Longo tempo” não se emprega em nosso país infelizmente, somente “mais tempo”, já que em seguida outra “polêmica” costuma assumir o cotidiano popular. Esta infeliz perspectiva talvez seja uma parte das respostas que estamos buscando. Mesmo que o objetivo do vazamento da informação intrinsecamente apresente caráter pessoal, parece-nos que a intenção sempre é criar tamanha desinformação e consequentes desencontros de opiniões, que logo a matéria perde interesse popular. Contudo, o dano pode ser sentido à medida que notas de rodapé dão conta das consequências destes fatos e de como “são” resolvidos. Este problema não acontece somente por aqui, mas a impunidade quer seja pelas falhas da justiça ou pelo desmando público, tem grande influência sobre a frequência destes casos e a forma como a imprensa se beneficia ou até é manipulada. O recente caso da Chevron Brasil Petróleo é um exemplo interessante, mesmo o caso ainda não tendo chegado ao fim quando escrevo este artigo, é emblemático e nos tira do lugar comum da política partidária que sempre toma conta dos jornais. A mesma foi protagonista de um grande vazamento de petróleo em uma operação de perfuração na Bacia de Campos no litoral brasileiro, onde supostamente tentaram acobertar os possíveis erros operacionais e consequentes danos ambientais minimizando o grande volume do vazamento. Em matéria do “IG” o presidente da empresa tentando relativar o fato de que o vazamento não era tão desastroso como anunciado inicialmente pela mídia, declarou que a empresa trabalhou com “total transparência” com as autoridades brasileiras em relação à divulgação das informações do vazamento e na atuação da empresa para conter o incidente. Nesta entrevista, o mesmo utilizou-se de vários recursos inteligentes de comunicação para passar sua mensagem visando conseguir reverter o papel de vilã “emprestada” pela mídia. Em sua mensagem, George Buck declara sua política afirmando que “nenhuma gota de óleo é aceitável na superfície” e que “vão continuar com o plano de reação até que não haja nenhuma gota na superfície”. Estas afirmações “acertadamente” se prestam a incutir subliminarmente na mente das pessoas a minimização dos efeitos das notícias anteriores sobre a imagem negativa da empresa. No entanto ele admitiu que “no primeiro dia, a divulgação das informações com transparência foi muito difícil”, observando que a situação foi muito complicada nos primeiros dias do acidente. Não sei se a declaração foi feita em inglês e se “traduzida livremente”, mas seu sentido pode gerar interpretações diferentes por questões culturais imagino. Em nosso entendimento o termo transparência deve ser utilizado para fazer entender que, “estamos informando os fatos conhecidos no presente momento”, ficando claro que as informações estão sendo passadas, mas que ainda não foram confirmadas e que podem ser mais bem esclarecidas conforme a situação de crise for sendo tratada. Pode parecer até que foi esta a intenção inicial, mas a afirmação de que no primeiro dia a divulgação das informações com transparência foi muito difícil, sugere também que não era conveniente. Se a intenção de transparência era legítima, considerando-se que ainda era desconhecida a extensão do vazamento, cuidados especiais deveriam ter sido tomados quanto ao relato da notícia, já que supostamente a empresa teria experiência para saber que o problema tendia a piorar antes de ser sanado completamente. Talvez a divulgação inicial tenha sido realizada pela área de comunicação da empresa, apoiada somente por um engenheiro que não conseguiu entender a limitação técnica de interpretação desta pessoa, que na ânsia de responder ao problema não tomou os cuidados necessários, como uma revisão conjunta e validada pela hierarquia superior. Isto é somente uma possível explicação se considerarmos que a Chevron também tinha muito a perder, mas o fato é que o estrago na imagem da Chevron, que já tem antecedentes em desastres ambientais desta natureza, estava feito. O problema se agrava se considerarmos que se trata de uma empresa multinacional, que apesar das grandes penalidades previstas estarem restritas as operações no Brasil, afetará os negócios da empresa como um todo. A simples menção de um vazamento em uma de suas operações de perfuração já é motivo por si só para atrair a atenção da mídia, pelo simples fato do histórico negativo da empresa nesta área. Não estamos explorando os aspectos de gerenciamento de crise neste episódio, mas fica explícita a relação da comunicação com a duração da exposição da imagem da empresa pela imprensa. O risco de imagem fica a mercê deste jogo de comunicação que não tende a cessar antes que grandes perdas econômicas e políticas em última análise se materializem, já que as perdas diretas tendem a ser menores em longo prazo. Observemos os muitos exemplos que assistimos rotineiramente no uso e manipulação da informação por TODOS os atores.

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