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Archive for novembro \23\America/Sao_Paulo 2012

Quando pensamos em facções criminosas e crime organizado podemos divergir quanto a aceitarmos ou não, possíveis diferenciações destes dois rótulos de um mesmo problema. Se considerarmos a história internacional e a compararmos com a nossa, encontraremos estas diferenças principalmente pelas características operacionais através do tempo. Entendemos que o combate a estas duas ameaças podem exigir tempo e recursos bastante distintos. Se analisarmos o que aconteceu na Itália em relação à Máfia, e o problema do tráfico de drogas na Colômbia e agora no México, podemos ver cenários distintos quanto à hierarquia criminosa, capacidade de substituição da chefia, divisão de forças, emprego de recursos financeiros, diversificação das modalidades criminosas, direcionamento das ameaças e luta pelo poder, bem como, as tentativas de dividir ou tirar o poder do Estado em algumas instâncias. Se pensarmos em PCC, CV, ADA e outras facções menores, sem nos esquecermos das FARC, que costumam aparecer por aqui nos bastidores, e mais frequentemente nas nossas fronteiras de selva fornecendo drogas e armas, o cenário fica cada vez mais complexo. Apesar da intrincada influência que estes atores provocam entre si, somando-se aqui o Estado, não podemos nos esquecer de que os movimentos táticos que estamos assistindo por parte do PCC são intrinsicamente de ordem econômica, estrategicamente voltados a manter no mínimo as resistências aos seus objetivos econômicos, que nada tem a ver com os direitos da população carcerária ou outras questões políticas ou legislativas do Estado. O mais preocupante disto tudo é a estratégia de longo prazo de ambos os lados. Enquanto o Estado brasileiro tardiamente se movimenta para integrações de sistemas de inteligência, envolvendo mais profundamente a Receita Federal na tentativa de estrangular os recursos financeiros do PCC, é aberta a informação de que esta facção criminosa mantém escritórios de advocacia para dar apoio jurídico e financeiro aos seus integrantes em todo o Estado de São Paulo, postos de gasolina, diversos serviços de vans para transporte público e pelo menos uma transportadora. Ou seja, se estes fatos eram desconhecidos ou foram ignorados até os ataques de 2006, desde então nada foi feito neste sentido. Nestes nefastos dias de ataque à Polícia Militar de São Paulo e muitos outros inocentes, temos observado estarrecidos, opiniões desastradas de renomados especialistas e profissionais de segurança pública. Entre estas pérolas, cito: “o crime organizado no Brasil é feito por pessoas de shorts e chinelos”; “o exército precisa liberar Glock’s para a nossa polícia, nossas armas não prestam”; “a cúpula do PCC está presa, não podemos afirmar que estas ações são deles”; “a população não percebe, mas a criminalidade baixou o que aumentou foram os homicídios”; “os sinais dos celulares não podem ser bloqueados por questões técnicas, afetaria toda a região”; “a população não pode ter arma de fogo” e por aí vai. Não somos contra nenhuma instituição do Estado, muito pelo contrário, reconhecemos o enorme esforço e sacrifício que estão fazendo para controlar a situação. Contudo, nenhuma delas pode se esquivar de seus erros passados e agir como se a população deste grande estado brasileiro fosse atrasada mentalmente. Infelizmente, parece que as grandes mentes profissionais são abafadas por políticos medíocres e outros invejosos, prevalecendo ainda as antigas e resistentes mentes tacanhas, que não cedem lugar as novas ideias, mantendo seus cargos e egos acima do bem comum, não importando as consequências. Sem entrarmos em detalhes, sabemos das enormes falhas do sistema penitenciário, do sistema legal, das polícias, das políticas públicas e da gestão de segurança pelo Estado. O que surpreende mesmo, é a demora política em dar uma resposta consistente e definitiva para um problema que em última instância deveria render uns bons votos. O aparato do Estado para a segurança pública está parado no tempo. Alguém viu alguma declaração da Senasp – Secretaria Nacional de Segurança Pública sobre os eventos atuais que estamos assistindo em nosso estado? O que temos visto é uma manifestação política competitiva entre governo federal e estadual, visando disputas de dividendos políticos futuros, já que as primeiras ações conjuntas apresentadas estão muito longe de serem as soluções emergenciais tão necessárias para trazer segurança à população. Muito tem sido dito sobre a capacidade do Estado brasileiro em realizar os grandes eventos que estão por vir, sempre colocando em dúvida questões de investimentos em infraestrutura, saúde, transporte, e claro, segurança. Acredito que a nossa fé deveria estar voltada ao grande legado que se espera destes tão esperados investimentos na melhoria das condições de vida dos brasileiros, e não em um tampão momentâneo dos problemas. Pois se assim for, muitos outros problemas chegarão com as dívidas públicas e falta de novos recursos para investimentos de longo prazo, em questões que são de suma importância para a soberania dos estados e a vida em sociedade.

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