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Archive for dezembro \14\America/Sao_Paulo 2012

Dando continuidade ao artigo “MASTER PLAN DA COPA DO MUNDO 2014”, vamos abordar alguns aspectos operacionais, sempre enfocando os cenários de segurança dentro e fora das arenas, chamadas de Áreas Integradas de Segurança. Este conceito prevê que existirão áreas distintas de atuação operacional pelos diversos órgãos de segurança pública e privada, contudo, com completa integração de comando e controle. Esta configuração se fez necessária em razão da FIFA ter condicionado no plano geral de segurança um modelo de atuação onde a segurança privada, representada pelos “stewards” (vigilantes treinados para atuação em grandes eventos) controlarão os ambientes internos das arenas, e os diversos órgãos da segurança pública, estaduais e federais, darão apoio se necessário, bem como, conforme suas especialidades funcionais controlarão vias de acesso, vias públicas, rodovias, portos, aeroportos e fronteiras, chamadas de Áreas de Interesse Operacional. Cada força de segurança, pública ou privada, deverá atuar conforme o Mapa de Força de cada uma delas, ou seja, conforme seus efetivos e recursos disponibilizados para estas operações, mas sempre respeitando suas reais capacidades, responsabilidades e constitucionalidade. Ainda neste contexto, será aplicado o conceito militar universalmente aprovado, chamado C4I (comando, controle, comunicação, computação e inteligência), que orientado e centralizado dentro dos Centros Integrados de Comando e Controle, criados especialmente para gerenciar em tempo real todas as operações rotineiras, críticas ou emergenciais, coletarão informações, detectarão ameaças e sincronizarão ações de resposta. Recursos substanciais estão sendo disponibilizados para que as forças armadas possam atuar convenientemente nas fronteiras, no ar e no mar, onde os desafios são naturalmente imensos num país continental. O Estado Maior das Forças Armadas e o Ministério da Justiça, em necessária cooperação, estão somando grandes esforços na área de inteligência para que as ameaças externas e internas sejam compreendidas, detectadas e debeladas. Para que os desafios de mobilidade sejam vencidos, as Polícias Militares, Guardas Civis Municipais e fiscais de trânsito atuarão sobre as Rotas de Pessoas e de veículos. Neste sentido temos que considerar a segurança das pessoas e do patrimônio em estações de metrô e de trens; pontos de ônibus e aeroportos, que serão pontos de encontro e concentração de pessoas que estarão se deslocando diretamente às arenas dos jogos. Rotas Protocolares para autoridades e convidados especiais da FIFA, e de Fuga em caso de emergências, deverão receber tratamento diferenciado por causa dos eventuais transtornos do trânsito para estes e para os próprios moradores das cidades sede. Estes tratamentos especiais preveem batedores da polícia, bloqueios de vias publicas, pistas especiais demarcadas e sinalizadas antecipadamente, liberação destas vias de quaisquer obstáculos viários ou de manifestantes e outras emergências possíveis, como acidentes de qualquer natureza, inclusive com veículos de transporte de insumos perigosos. No cenário “Arena” vale maior detalhamento sobre questões de acesso e áreas imediatas às mesmas, dentro e fora do perímetro de segurança. Do lado de fora deste perímetro encontraremos grandes volumes de pessoas a pé, muitos veículos de serviços, ônibus públicos e fretados, e claro, muitos carros. Estão sendo previstas entradas distintas para estes diversos públicos, mas não podemos deixar de considerar que a geografia do terreno, o numero excepcional de vias que deverão ser bloqueadas e o grande volume de pessoas e veículos se dirigindo ao mesmo destino no mesmo intervalo de tempo, independentemente das características de cada cidade sede ou de suas arenas, haverá gargalos que não poderão ser evitados. Estas aglomerações nestes gargalos trarão enormes transtornos se o fluxo de pessoas e veículos não for apropriadamente cuidado. Neste aspecto operacional vale ressaltar que todos os veículos que serão autorizados a estacionar dentro do perímetro interno de segurança, mesmo que só para desembarque de passageiros, só serão liberados para tanto depois de serem vistoriados pela Polícia Militar, o que inclui cães de faro para a detecção de explosivos. Já os torcedores, VIP’s ou não, terão que passar por um sistema de controle montado nas entradas das arenas nos mesmos moldes dos aeroportos, ou seja, com inspeção de pertences no aparelho de “Raio-X” e passagem pelo portal de detecção de metais. Entre o perímetro de segurança externo e a arena, haverá ainda Estruturas Temporárias montadas para lojas, lojas de conveniência, restaurantes, lanchonetes, banheiros, ambulatórios, etc. Estão previstos também, Áreas de Eventos Públicos voltados ao entretenimento dos turistas e torcedores, e Áreas de Hospitalidade onde os torcedores poderão se encontrar antes e/ou comemorar depois das partidas. Isto nos remete ao aparato necessário para controlar estas multidões e os riscos inerentes nestes locais e em todas as infraestruturas públicas de transporte e de trânsito. Tudo tende a correr bem se considerarmos a boa conduta e a paciência do público local e visitante. Mas o que dizer das torcidas organizadas mais exaltadas, que quando não tentam invadir o campo, quebram tudo a sua volta e agridem e ferem outras pessoas? As amplitudes destas “ondas de choque” demandam atenção e recursos consideráveis, tanto da segurança pública como da privada. No caso de descontrole destas crises só restará que os planos de emergência e contingência possam atuar eficazmente, o que sem sombra de dúvida, já dará o que falar, já que as imagens geradas pelas televisões no ambiente externo não são controladas pela FIFA e com certeza serão veiculadas internacionalmente, trazendo dúvidas consideráveis sobre a atuação das equipes de segurança e organização do evento. Planejar os detalhes por quem conhece “operações” e prima pelos controles será fundamental, mas as ações só serão efetivas se o contingente for adequadamente preparado. Leia-se “instruído e testado em campo”. Abordaremos sobre os riscos e outras providências para o comércio e a população em geral durante as Copas das Confederações e do Mundo em outro artigo.

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