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Archive for janeiro \24\America/Sao_Paulo 2013

O que mais influencia a escolha de um alvo comercial pelos assaltantes, a atratividade ou a vulnerabilidade? É certo dizermos que as duas coisas apresentam certo peso, contudo a audácia dos criminosos tem acrescentado um fator perigoso para as vítimas nesta equação de risco. Apesar de sabermos das migrações de quadrilhas para modalidades criminosas diferentes das suas costumeiras práticas e habilidades adquiridas, também sabemos que novos grupos são formados para ocupar estes espaços, mesmo que momentaneamente. As diferentes experiências destes criminosos ou a falta delas somadas ao uso de drogas, álcool e outras deficiências mentais e sociais, incrementam sobremaneira a violência destes indivíduos ou grupos criminosos. Será que estes elementos distintos ou somados compõem um quadro de falta de discernimento dos mesmos, da perda total de valores e do medo? Tenho certeza que muitas teorias existem para tentar explicar estes fenômenos comportamentais, mas os resultados diários de assaltos violentos em postos de gasolina, casas lotéricas, farmácias, lojas de conveniências, bares, padarias e até restaurantes, são portadores explícitos de que as coisas ainda vão piorar muito antes de melhorarem. Tardiamente, sempre tardiamente, vimos guichês de metrô e lotéricas serem blindadas, bem como, alguns postos de gasolina e padarias colocarem seguranças, que logo foram substituídos por vigias ou policiais fazendo bico. Presenciamos cotidianamente “mãos brancas” protegendo bancos, joalherias, casas de câmbio e até supermercados. Assistimos a uma corrupção passiva diária de policiais que almoçam e/ou jantam diariamente em bares, lanchonetes, padarias e empresas, com o único intuito de seus proprietários manterem a presença destes policiais por perto o máximo possível, tentando inibir a marginalidade e eventualmente poderem ser atendidos prontamente em caso de ocorrência criminosa. Sem maiores delongas, a quem queremos enganar? Notem que não me referi a quem nos enganam, pois de uma forma geral, a maioria esmagadora de comerciantes não sabe o que fazer para protegerem seus negócios e seus clientes, e se enganam com soluções temporárias e temerárias, propagando um mal maior, que é a falsa sensação de segurança. Muitos podem dizer que as corretas medidas de segurança seriam muito ostensivas ou caras. Em relação ao custo podemos afirmar que um projeto de segurança física integrada com aspectos arquitetônicos e de lay out, valoriza o negócio e se justifica imediatamente pelos resultados e pela real percepção de cuidado do ambiente. Quanto à ostensividade que alguns recursos podem apresentar, tenho certeza, como o exemplo de muitos países que tiveram que enfrentar e enfrentam os mesmos problemas, e alguns piores como o terrorismo, de que a sociedade é suficientemente capaz de associar e aceitar os benefícios, assim como, de compreender e absorver os supostos inconvenientes de uma estrutura mais rígida de segurança, desde que sejam inteligentemente implantadas. Importante destacar este aspecto, pois com absoluta certeza, podemos afirmar que a resistência às medidas de segurança, ou o descaso e desuso de recursos implantados se dá pela incredulidade dos usuários sobre a eficiência e a eficácia dos mesmos. Não posso me furtar de comentar sobre questões regulatórias que influenciariam diretamente os possíveis projetos de segurança integrais dos setores comerciais citados, pois infelizmente sabemos que comumente nossos legisladores são influenciados negativamente para a aprovação das necessárias leis regulatórias de diversos setores, tanto nas esferas municipais, estaduais, como federais, acabando por obrigar os mesmos a investirem alto e erradamente. Estes equívocos costumam provocar longos períodos de discussão e perdas financeiras para a sociedade, empurrando as soluções viáveis para um futuro incerto e duvidoso. Considerando as perdas mensuráveis e inequívocas, sou a favor de regulações legais para a aplicação obrigatória de recursos que comprovadamente desestimulem a criminalidade e a violência gratuita, como a blindagem dos ambientes de trabalho dos funcionários que manipulam dinheiro nestes estabelecimentos comerciais, só para começar. Já discuti em outros artigos questões relacionadas à percepção de risco pelas pessoas, e bem sabemos que não é uma tarefa fácil convencê-las a se protegerem de forma racional e não emotiva. Contudo, acredito também, como vi em Israel, nos Estados Unidos e em muitos países europeus, que independentemente da singularidade destes povos, todos aceitaram os benefícios de viverem em ambientes externos e internos mais controlados e, portanto mais seguros. As pessoas percebem mais facilmente que os riscos existem quando se dão conta da presença e da eficiência dos recursos de proteção existentes. E quando esta percepção de proteção existente se integra ao cotidiano das mesmas, suas consciências automaticamente clamam por esta proteção aonde quer que estejam, pois não aceitam mais estarem expostas a estes riscos desnecessariamente. Não quero dar a impressão de termos mais problemas do que soluções neste caminho, contudo exemplos negativos de regulações equivocadas são muitos, como nas instituições financeiras, portos e aeroportos só para citar alguns polêmicos. Estudos sérios e desapaixonados promovidos por especialistas experientes podem contribuir muito na solução e regulação de todos estes casos. Que este caminho seja construído o quanto antes.

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