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Archive for abril \30\America/Sao_Paulo 2013

As empresas criam muitos tipos de indicadores e produzem grandes quantidades de informações que são analisadas e utilizadas tanto pelas diversas áreas que as produzem, como pela alta gestão do negócio. Contudo, estes relatórios de indicadores costumam ficar restritos às suas próprias áreas gerenciais ou chegando muito tarde ao conhecimento de outros gestores, quando as ações corretivas estão em discussão ou mesmo, já em curso. Apesar das áreas de planejamento estratégico, de auditoria, de compliance, de recursos humanos e jurídica trabalharem com dados extremamente valiosos para a identificação de riscos, dificilmente ocorre de mais de duas destas áreas se comunicarem e coordenarem ações estratégias conjuntas. Não devemos ficar restritos aos indicadores de perdas diretas para propormos soluções de segurança ou iniciarmos investigações. Contudo, devemos levar em consideração o modelo de gestão, já que as ações propostas deverão ser executadas pelas áreas clientes que detém os problemas apontados. Caso não haja participação e correlação de metas entre as áreas afins, dificilmente haverá aderência e comprometimento na redução de perdas totais do negócio, ficando a resolução das não conformidades, mais uma vez restritas às áreas problemas. Vale ressaltar que não podemos incentivar um jogo de empurra, mas sim, uma participação construtiva nos interesses comuns. Em caso contrário, o que ocorrerá será a ampliação das áreas cinzentas existentes entre as responsabilidades de implantação das ações necessárias, onde os gestores das diversas áreas esperam que os outros estejam fazendo o que não querem fazer. Este conhecimento organizacional é muito importante para nós no sentido prático de não sofrermos resistências internas para conseguirmos acesso completo às informações necessárias para nossas análises, pois se não soubermos avaliar como os gestores clientes se posicionam neste contexto, poderemos ter grandes dificuldades para implantarmos um modelo de cooperação de gestão de riscos. Assim sendo, fica claro que proponho e recomendo a experiência de processos investigativos, não somente para a elucidação de delitos corporativos, mas também de forma inclusiva na prevenção de perdas através da integração sistemática e planejamento estratégico da gestão de riscos. Para que isto aconteça é necessário que o gestor de segurança ou risco, seja um profissional experiente em investigação e análise de dados, bem como, goze de plena confiança e consiga transitar bem nas áreas clientes. Vamos analisar um cenário hipotético deste modelo. A área de Produção precisa expandir sua capacidade em uma linha de montagem, mas para que isto aconteça, Compras terá que negociar com os fornecedores de componentes prazos de entregas diferentes dos atuais para não desabastecer a linha. Esta necessidade prevê que o espaço de armazenagem deverá ser maior, mas Compras e Produção não sabem que o espaço atual está no seu limite máximo. A área de Auditoria por sua vez, detectou que muitos componentes em estoque não são mais utilizados e que deveriam ser eliminados, mas ainda precisam consultar o Jurídico e a Qualidade para saber se há alguma restrição. Antes mesmo de tudo isto, a área de Meio Ambiente pediu ao RH que contratasse alguns temporários para ajudarem na compactação e no descarte de embalagens de matérias primas, mas se esqueceram de avisar ao RH que os novos contratados devem atender aos novos requisitos de integração, exigidos pelo Jurídico e a Segurança do Trabalho, em razão de uma nova legislação. A Segurança Patrimonial por sua vez, ainda não sabe, mas precisará pedir seguranças extras para controlar todas estas atividades sem previsão de tempo para acabar e que deverão chegar separadamente ao conhecimento do gestor de segurança, que não tem budget para mais serviços extras, já que uma grande obra interna está utilizando toda a sua reserva técnica. Mas quando o gerente de materiais ficar sabendo de tudo isto, achando que pode ajudar, vai negociar o empréstimo de alguns terceiros com o gerente da Logística, seu grande amigo, que por sua vez, também ainda não sabe que os mesmos estão sendo investigados pela Segurança por suspeita de furtos internos em outras áreas próximas. O supervisor de segurança da noite ouviu alguém dizer que precisa limpar o pátio para poderem esvaziar um depósito, então tomou a iniciativa de pedir aos terceiros da Expedição, que neste período tem tempo de sobra, que joguem as embalagens e o material descartado nas caçambas de lixo da obra, sem saber que a área de Meio Ambiente e Jurídico vão ter problemas de balanço de massa e legislação ambiental, bem como, problemas trabalhistas, sem falar do gerente de Materiais que queria vender o material para uma empresa de resíduos sólidos e recuperar as despesas de armazenamento. Quanto de tempo e recursos são perdidos, e quanto de perdas poderiam ser evitadas neste exemplo básico, se uma reunião de alinhamento entre as áreas clientes acontecesse semanalmente? Muito, pois todos têm a ganhar em eficiência e custos. Todos estes fatos acontecendo simultaneamente geram inúmeras outras vulnerabilidades de segurança, já que fica demonstrado para um observador atento, que não existem os controles necessários que evitariam que estas situações se concretizassem, abrindo assim, as portas para que sejam exploradas oportunamente. A qualidade das informações gerenciais compartilhadas, também gera conhecimento precioso para muitas investigações e sugestões de melhorias de controle. Vamos quebrar as barreiras então!

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