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Archive for agosto \16\America/Sao_Paulo 2013

INVESTIGAÇÃO CRIMINAL

Nossa sociedade está vivenciando crimes que confundem a fantasia com a realidade ou a fantasia tornou-se a realidade criminosa? No primeiro caso podemos entender que a solução dos crimes parece desafiar nossa imaginação, mas no segundo, a realidade supera em muito qualquer associação de ideias. Crimes cada vez mais horrendos e sem explicação lógica tomam os noticiários todos os dias, muitos deles sem o devido esclarecimento. Mais do que a capacidade da polícia em elucidar todos estes crimes, fica a esperança de que eles acabem um dia. Acredito que a elucidação de todos os crimes seja mais importante do que a punição de todos eles, pois se a justiça não consegue manter os criminosos presos pelo tempo que merecem o que dizer daqueles que nem são julgados? Mantendo nossa abordagem alinhada ao que tange as investigações, depois de ver tantos peritos prestando-se a dar tantas opiniões e até afirmando teorias e hipóteses sobre crimes de grande repercussão na mídia sem o necessário conhecimento tácito de todos os elementos de provas, posso afirmar com tristeza que estamos precisando de novos rumos neste quesito também. Peritos se manifestam sobre casos sem informações, enquanto outros deixam escapar outras que não poderiam vazar; policiais invadem cenas de crimes enquanto delegados afirmam terem fechados casos sem finalização da perícia; repórteres e advogados usam a mídia para influenciar a opinião pública que acaba exigindo retratação de autoridades. Se juntarmos tudo isto ao fato de que menos de 10% dos crimes são elucidados, sendo que destes mais da metade houve testemunhas ou o próprio assassino se entregou, resta-nos uma dúvida razoável de nossa capacidade em elucidar crimes, principalmente os mais complexos. Somos sabedores de que os órgãos policiais em todos os níveis e de todos os tipos são formados por pessoas competentes em sua grande maioria. Se aceitarmos este fato, porque estas mazelas acontecem? Será que falta preparação profissional, onde incluo a ética, ou faltam políticas e normas claras que punam estas pessoas? Não gosto de provocar reflexões com perguntas que gerem respostas subjetivas, mas podemos ver claramente que muitas coisas estão erradas sem detalharmos nenhum aspecto, pois acredito que já seja do consciente coletivo que estamos vivenciando momentos infelizes em tudo que diz respeito à segurança pública, principalmente na política, gestão e comando. Voltando ao que podemos discutir positivamente, em toda a minha experiência investigativa na área corporativa de mais de quinze anos, nunca vi um profissional atuando dentro de uma empresa assumir posições calcadas em achismos sem correr o risco de ser ridicularizado ou até mesmo demitido. Sem que os leigos se deem conta disto, o famoso tirocínio policial parece que se incorpora e se confunde com a própria personalidade destes policiais, deixando a lógica e a ciência muito distante em segundo plano, distorcendo a correta leitura de uma análise sem paixões ou sofismas. Toda investigação deve ser precedida de um planejamento, que por sua vez é baseado nas premissas básicas de cada crime, ou seja, o planejamento de diferentes crimes é também diferente em sua essência. Cada tipo de crime exige preparações e procedimentos próprios. Investigadores e peritos em homicídios têm experiências e visões muito distintas de outros que atuam em roubos a banco ou sequestros por exemplo. Estas diferenças podem ser cruciais na coleta de provas e dados relevantes ao direcionamento de hipótese viáveis e linhas de investigações que devem ser adotadas. Nenhuma linha investigativa pode ser abandonada até que todas as fontes e informações sejam totalmente exauridas e evidências e provas analisadas em todos os contextos possíveis. Importante mencionarmos alguns problemas com relação às analises policiais sobre as manifestações dos suspeitos em entrevistas públicas e interrogatórios televisionados. É impressionante como precipitações e equívocos ocorrem nas analises, simplesmente porque os suspeitos mexeram seus olhos de uma forma ou outra, ou ainda, em razão de terem apresentado frieza ou nervosismo. Apesar de reconhecer que a técnica do confronto seja eficiente na maioria dos interrogatórios visando criar a confusão mental do suspeito, fica evidente a dificuldade desses profissionais fazerem as conexões cognitivas corretas na leitura que fazem destes suspeitos, principalmente, a meu ver, por já terem formado convicção na culpabilidade dos mesmos. Não desejo denegrir a imagem de nenhum destes profissionais, que claro, tem direito a suas próprias opiniões. Contudo, é significativa a responsabilidade implícita, quando opinam ou afirmam categoricamente um fato, que depende de profunda análise de múltiplos fatores que podem mudar totalmente o cenário em foco, pela simples mudança de peso sobre um desses fatores ou pela combinação diferente de um ou mais destes. Entendo que a matéria investigação não está sendo bem absorvida na formação policial, e mais ainda, acredito que as distorções decorrentes das influências negativas de policiais convictos de antigos dogmas pioram muito a capacidade de aprendizagem e abertura de novos horizontes para os iniciantes.

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