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Archive for the ‘Opinião’ Category

Às vésperas da abertura das Olímpiadas em Londres, a G4S, uma das maiores empresas de segurança privada do mundo, responsável pela segurança do evento, deixou um rombo de 3,5 mil homens dos mais de 10 mil programados. Poucos meses depois de uma controvérsia com os Estados Unidos quanto ao efetivo de segurança necessário para garantir a realização dos Jogos Olímpicos de Londres, quando o governo americano queria simplesmente o dobro do previsto inicialmente, o governo britânico foi obrigado a adotar uma medida emergencial de convocação de seu exército para cobrir a falha de planejamento e organização da segurança pela G4S. A empresa de segurança admitiu que não pretende mais participar da concorrência da segurança para os grandes eventos que acontecerão no Brasil. Sempre me esforço para acreditar que alguém, de fato, entenda as dimensões da tarefa e das necessidades reais da segurança e assim sendo, que tenha dimensionado e planejado adequadamente as medidas de segurança cabíveis e mais importante ainda, da integração de todos os recursos públicos e privados. Muito já se falou da coordenação destes recursos e ao que tudo indica, existe um enorme ego subsidiando as atuais decisões baseadas no sucesso de pequenos eventos passados, considerando-se a dimensão dos mesmos aos desafios atuais. Sinceramente, não acredito no pleno sucesso dos nossos eventos se não houver uma quebra de paradigmas no sentido de que muitos especialistas, de muitas áreas diferentes, deveriam ser ouvidos sem o receio de ferir o ego de alguém que supostamente deveria saber tudo. No COBRASE do ano passado, realizado junto a EXPOSEC, palestrei sobre a questão do recrutamento e seleção dos efetivos de segurança para os grandes eventos que serão realizados no Brasil brevemente. Nesta ocasião, foram apresentados vários problemas relacionados à manutenção dos seguranças selecionados pela dificuldade de se selecionar com antecedência todo o efetivo e mantê-los interessados e a disposição de se apresentarem quando chamados. Quem já implantou grande numero de efetivos em um posto de serviço novo sabe bem as dificuldades de se sincronizar todas as etapas deste processo, recaindo sempre as mazelas sobre os próprios seguranças que tem que ficar a disposição e comparecer muitas vezes a sede da empresa de segurança para tramites legais, trabalhistas, receber uniforme e treinamento, em muitos casos, ainda sem receber nenhum benefício nesta fase, sem dinheiro e provavelmente com dívidas, se estavam desempregados. Tudo isso nos faz refletir sobre a questão da lealdade dos mesmos com seu, ainda futuro, empregador. Pois neste sentido devemos considerar duas questões, a primeira, sobre quantas empresas estarão participando da concorrência de segurança privada, sabendo-se que as competições serão realizadas em várias cidades, inclusive em estados diferentes; e a segunda, como as empresas que não tem sedes nestas cidades e estados, conseguirão efetivos suficientes e com que qualidades e preparos funcionais. Estes possíveis problemas convergirão inevitavelmente em custos, que sendo arcados pelas empresas, elevarão os custos totais dos serviços, e se absorvidos pelos seguranças, estes poderão desistir na última hora, ou pior, resolverem compensar suas perdas aceitando subornos e fazendo pequenas concessões que aumentariam muito os riscos dos eventos. Tenho defendido que muitos dos problemas operacionais e consequente controle dos riscos, podem ser contornados se houver numero suficiente de líderes e supervisores capacitados, gerenciando pequenos grupos de vigilantes. Conferindo-se capacidade de decisão a estes líderes e supervisores, mesmo que em uma escala controlada por coordenadores e gerentes sempre presentes, traria agilidade e capacidade de reação aos inúmeros problemas que devem surgir e que precisam ser resolvidos sem demora. Podemos entender que não é uma tarefa fácil de ser conseguida nas condições apresentadas, bem como, precisaremos de equipes fixas para conseguirmos adquirir confiança no modelo. Qualquer coordenador ou gerente de segurança se sentirá inseguro em assumir tais responsabilidades se não conhecer o efetivo sob seu comando, resultando na percepção de um grande fracasso profissional. Para tais requisitos serem alcançados muitas decisões sobre custos e recursos humanos precisam ser tomadas, sabendo-se da característica quase emergencial que se seguirá, se considerarmos que os estádios e praças de eventos esportivos deverão ficar prontos somente muito perto dos eventos e que muitos sistemas e aparatos funcionais e de segurança só serão implantados depois. Consequentemente, os sistemas de segurança precisarão ser testados e os efetivos familiarizados, treinados e mantidos como grupo.  Gestores experientes sabem muito bem que um projeto de segurança pode levar meses para ser totalmente implantado e validado. O que pensar dos seguranças que serão preparados para a Copa do Mundo e depois terão que fazer outras atividades profissionais até as Olímpiadas? Não podemos acreditar que haverá emprego nas mesmas atividades para todos depois do encerramento da Copa. Teremos que começar tudo de novo. E se haverá um grande aprendizado nisso somente os próprios fatos poderão responder. Contudo, não me abstenho em afirmar que dívidas grandiosas serão suportadas pelos brasileiros pelas mazelas e corrupções que serão cometidas. Resta saber o quanto de nossa imagem já bem arranhada irá sobreviver.

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